Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Ana Claudia da Silva Alves
Relatório sobre a conclusão do estudo elaborado para medir o IMPACTO SOCIAL DO PROJETO CIDADÃO DIGITAL - 2005
Estágio Supervisionado I
Profª Roshangela Bastani
Porto Alegre
Junho/2005
Índice
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| Introdução | 03 |
| Inclusão Digital | 05 |
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| Capítulos |
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| 08 | |
| 2. Avaliação do curso | 11 |
| 3. Auto-estima, empregabilidade e mercado de trabalho | 13 |
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| Conclusão | 18 |
| Referência | 19 |
Introdução
Este estudo analisa o impacto social do Projeto Cidadão Digital nas comunidades beneficiadas, situadas nos municípios de Alvorada e Porto Alegre, no Estado do Rio Grande do Sul/ Brasil.
O Projeto Cidadão Digital é uma iniciativa da DELL Computadores do Brasil e desenvolvido pela Fundação Pensamento Digital.
Este projeto tem como objetivo promover a capacitação técnica em informática e a orientação profissional para jovens de baixa renda de forma a colaborar para o desenvolvimento social sustentável das comunidades, combatendo assim a exclusão, através da criação de Escolas de Tecnologia de Informática – ETIs.
O curso não é apenas de informática básica, possui preparação para o mercado de trabalho, com o desenvolvimento dos programas da Júnior Achiviement e, em paralelo às aulas, há visitas à fábrica da DELL. Neste momento ocorrem conversas e trocas de e-mails com padrinhos “funcionários da DELL que custeiam o curso para o seu afiliado”.
ETIs são laboratórios comunitários onde são ministradas aulas de informática básica - software, com duração de quatro meses, e aulas de manutenção – hardware, com duração de dois meses. O público alvo é composto de alunos formandos ou regularmente matriculados no ensino médio e a comunidade em geral, abrangendo crianças, jovens e adultos com idade entre 10 a 65 anos.
Os instrutores são na sua maioria ex-alunos que recebem capacitação para preparação das aulas, estes têm a responsabilidade de transmitir em suas comunidades o conhecimento adquirido.
Este projeto está sendo desenvolvido desde 2004, hoje existem 07 ETIs, sendo 05 na cidade de Alvorada e 02 na cidade de Porto Alegre, mais 02 Laboratórios de Manutenção também na cidade de Alvorada.
O município de Alvorada conta com uma população de 205.476 habitantes (IBGE - 2004) IDH 0.768, ocupando a posição nº 307 no RS. É um município pobre, com alto índice de violência, em parte decorrente do desemprego e do alto índice de vulnerabilidade social. Alvorada conta com 30.000 pessoas vivendo abaixo da "linha da miséria".
O município de Porto Alegre conta uma população de 1.360590 habitantes (CENSO 2000), onde os bairros beneficiados são Restinga com 50.020 habitantes (CENSO 2000), e Rubem Berta com 78.624 habitantes (CENSO 2000), que juntos contam com uma população de 128.644 habitantes, concentrando um alto número de pessoas carentes e jovens desempregados.
A população pesquisada é referente o ano de 2005, um total de 1061 alunos matriculados, sendo incluídos todos os alunos que concluíram ao não o curso.
A metodologia utilizada para a construção deste estudo foi a seguinte: amostra estratificada aleatória que gerou um número representativo da população com 92 casos estratificados segundo os critérios de: semestre de realização do curso, gênero e faixa etária. Após a elaboração do instrumento, entrevista semi-estruturada, foi realizada um pré-teste que contou com mais 11 casos. Totalizando a amostra com 103 casos para análise aqui apresentada.
Para analisar o impacto social do Projeto Cidadão Digital o estudo dividi-se em três capítulos:
No primeiro capítulo, intitulado “Perfil socioeconômico dos alunos”, é feita a análise de indicadores como gênero, faixa etária e escolaridade.
No segundo capítulo é realizada a avaliação do curso.
No terceiro e último capítulo é analisada a auto-estima, empregabilidade e mercado de trabalho.
Inclusão Digital
O analfabetismo é algo importante porque é através dele que muitos estão sendo excluídos conforme mostra o INAF, 2005: “... a maioria é do sexo masculino 64%, tem mais de 35 anos 77% e pertence às classes D e E 81%. Uma boa parte deles não está ocupada 41% e, entre os ocupados, 41% trabalham na agricultura. Parte deles 22% não chegou a completar nem um ano de escolaridade, mas 60% completaram de um a três anos de estudos. A desigualdade no acesso a oportunidades educacionais resulta numa distribuição desigual do analfabetismo entre negros e brancos: entre os analfabetos, 66% se declaram negros enquanto 28% se declaram brancos. Outro dado sobre o perfil desse grupo é que eles não usam computador.”
Já no nível rudimentar – “... há uma participação semelhante de homens e mulheres. Em relação aos analfabetos, aumenta a proporção entre 15 e 34 anos, passando de 23% para 39% do grupo. Quase um terço pertence à classe C e 64% às classes D e E. A taxa de ocupação desse grupo é próxima a do conjunto da população: 63%. A maior parte deles 49% tem de 4 a 7 anos de estudo e 33% menos de três; 57% são negros, 39% brancos, 4% indígenas ou amarelos. Além disse somente 6% usam computador.”
Em relação aos alfabetizados – nível básico – “... a participação das mulheres é um pouco maior que a dos homens 53% contra 47%. Também estão concentrados nas classes C 40%, D e E 45% e a maior parcela 40% tem de 4 a 7 anos de estudo. Outro dado do grupos é que 23% usam computados.”
Já os alfabetizados – nível pleno – “... as mulheres têm em geral mais escolaridade que os homens, elas são maioria nesse grupo com 53% contra 47%. Pelo mesmo motivo, também predominam aqui os mais jovens: 70% têm até 34 anos. Mais de um terço do grupo pertence às classes A e B e 41% à classes C. A maioria 60% têm pelo menos o ensino médio completo, outros 25% têm de 8 a 10 anos de estudo, ou seja, no mínimo completaram o ensino fundamental. Além disso: 54% usam o computador.”
Percebe-se que quanto maior a escolaridade maior é o interesse ao aprendizado na informática e conseguinte inclusão no mercado de trabalho, isso comprova a pesquisa realizada em relação ao Projeto Cidadão Digital que não havia nenhum aluno analfabeto e sim uma grande maioria de alunos do Ensino Médio com 67% e com 61,20% um número maior de mulheres desenvolvendo o curso oferecido nas comunidades.
“O computador é inexpressivo entre os analfabetos e alfabetizados num nível rudimentar. Entretanto, entre as pessoas mais escolarizadas, onde o acesso é maior, seu uso mostrou ter uma influência destacada no desenvolvimento das habilidades de leitura.
Entre pessoas que usam computador, a maioria o faz em casa ou no trabalho, em proporções que vêm aumentando. Um fato promissor para a popularização dessa importante ferramenta de leitura e escrita é que aumentou, entre 2003 e 2005, o percentual dos que usam computador em lugares públicos. INAF, 2005”
Com isso podemos analisar que há um grande número de pessoas analfabetas digitais, pelo fato que não conhecem o computador e nem se quer sabem manuseá-lo, por este motivo se faz necessário a inclusão digital que abre portas para todos sem discriminação.
O aprendizado da informática e a inclusão em uma rede possibilitam gerar um capital social e cultural, bem como promover a empregabilidade de cada cidadão.
A inclusão digital no Brasil vem tomando cada vez mais importância no âmbito de inserção como mostra a análise feita por Voelcker “... as primeiras ações surgiram na sociedade civil no inicio da década de 90 mobilização de um grupo de voluntários do Rio de Janeiro e em são Paulo, determinados a reutilizar computadores em organizações comunitárias e capacitar educadores no uso dos aplicativos básicos em conjunto com a pauta cidadania, deu inicio, em 1995, ao CDI – Comitê para a Democratização da Informática. Com apoio de diversas empresas, em especial a Microsoft, o CDI replicou suas atividades, no formato de franquia social, em vários estados brasileiros.”
“No Rio Grande do Sul, a mobilização para reutilização de computadores começou em 1999, na ONG Parceiros Voluntários, quando empresas a procuraram para receber orientação sobre como destinar seus computadores usados, já que estavam comprando novos” (Voelcker, 2005. P41 e 42).”
1. Perfil socioeconômico dos alunos
Este capítulo tem como objetivo analisar o perfil socioeconômico dos alunos, assim sendo foram utilizados os seguintes indicadores: gênero, faixa etária, escolaridade e a condição de trabalho (se possuía emprego ou estava procurando).
Como mostra o gráfico abaixo há um maior percentual de mulheres inseridas no Projeto com 61,2% enquanto que homens aparecem com um percentual de 38,8%.

Examinando a faixa etária, conforme pode ser observado no quadro a seguir verifica-se uma maior concentração na idade de 15 a 25 anos com 67%, esta idade é a que apresenta um maior índice de inserção no mercado de trabalho também com 25%, embora esta faixa etária, dos 15 aos 26 anos, segundo o IBGE é onde está concentrado o maior índice de jovens desempregados no Brasil atualmente.
O gráfico abaixo é referente a escolaridade dos alunos que participam do Projeto. A escolaridade está concentrada no ensino médio com 67%, o mesmo percentual também concentrado na escolaridade entre 15 a 25 nos, já o ensino fundamental com 25,2% e o ensino superior representa o menor índice com 7,8% dos alunos.

A partir dos dados analisados anteriormente é possível traçar o perfil socioeconômico destes alunos. Pode-se perceber que os alunos que integram o Projeto Cidadão Digital são predominantemente do sexo feminino, que têm uma faixa etária entre os 15 aos 25 anos e possuem um nível escolar relativamente mediano, já no que tange a parte financeira na sua maioria são adolescentes que estão em busca de uma melhor qualificação para a inserção no mercado de trabalho.
Na perceptiva da conclusão ou não do curso, podemos perceber que dos alunos matriculados, uma grande maioria, isto é 83,6% concluiu o curso e 16,5% não o concluíram, alegando para tal, há diversos motivos como: doença, obtenção de trabalho, situação financeira, entre outros. Em relação aos alunos que obtiveram bolsas apenas 40,8% concluíram o curso enquanto que 59,2% não concluíram o curso.
Estes percentuais são importantes à medida que evidenciam a realidade vivida nas comunidades beneficiadas. O curso tem um valor mensal de R$ 15,00 (quinze reais) e muitas vezes estas famílias não conseguem pagar este valor, que para muitas pessoas da classe média é irrisório, entretanto se não houvesse a ajuda dos padrinhos[1] o curso se tornaria impraticável para alguns alunos.
Esta situação é reafirmada a partir de um depoimento: “... é necessário analisar quem realmente precisa”. A partir dessa sugestão fica evidente a necessidade de se estabelecer critérios para que mais pessoas possam estar sendo beneficiadas e o mais importante as que realmente estão necessitando.
Uma outra sugestão apresentada é a de diferentemente de beneficiar apenas um aluno com bolsa integral, mas sim beneficiar mais alunos com bolsas de parciais, assim um número maior de jovens carentes poderiam estar participando do Projeto.
A conclusão ou não do curso, influência, sem dúvida o olhar do aluno concluinte em relação à avaliação do Projeto em que está participando apresentada no capítulo seguinte.
2. Avaliação do curso
Este capítulo pretende compreender a forma como os alunos percebem o curso, através de questões implícitas como: Quais os pontos fortes e fracos no desenvolvimento do processo de aprendizagem?
Na resposta à pergunta “Os conteúdos desenvolvidos são importantes para o mercado de trabalho?”, verificou-se que 98,1% dos entrevistados responderam que sim.


Conforme mostra o gráfico acima na resposta “Porque?”, “A informática é fundamental” com 35,9%, seguida de 25,2% que afirmaram que é “Importante para se conseguir emprego”, comprovando que a informática tem papel de destaque nas vidas das pessoas beneficiadas.
Na resposta à pergunta sobre quais os pontos fortes e pontos fracos, percebe-se a satisfação dos alunos com o Projeto e o desenvolvimento do processo de aprendizagem demonstrado no gráfico abaixo.
Observa-se que em relação aos pontos fortes, 32% responderam que são os conteúdos e 31,1% os instrutores.
Em relação aos pontos fracos: 18,4% responderam que a carga horária é insuficiente e 13,6% também respondem que são os instrutores.
Há uma parcela dos alunos que acredita que os instrutores são bons (31,1%) e outra que não concorda (13,6%), a sugestão é fornecer aos instrutores e coordenadores das ETIs uma palestra sobre o Projeto Cidadão Digital procurando sanar qualquer dúvida possível, além de maior qualificação pedagógica, didática, técnica e um acompanhamento rigoroso dos instrutores no desenvolvimento do projeto.


Conclui-se que, embora a avaliação do Projeto na visão dos alunos seja positiva, há necessidade de se ter mudanças em alguns pontos para que assim possa atender melhor a comunidade.
A partir da análise da avaliação é possível perceber a satisfação com o curso no que diz respeito ao interesse pela informática e entendimento da sua real importância no mercado de trabalho, para além de pertencer a um outro grupo.
O terceiro capítulo é direcionado para as hipóteses sugeridas no projeto de pesquisa inicialmente, são elas: aumento da auto-estima, o desenvolvimento da empregabilidade e inserção no mercado de trabalho.
3. Auto-estima, empregabilidade e mercado de trabalho
Este capítulo tratará de questões sociais muito presente no cotidiano das comunidades beneficiadas pelo Projeto.
A relação de auto-estima, empregabilidade e inserção no mercado de trabalho são muito estreitas porque estão interligadas como mostra Shinyashiki:
“... para o crescimento do ser humano, mostrar que está vivo com garra e força para atingir seus objetivos, o prazer e as realizações devem fazer parte da nossa vida, palavras de otimismo que levam pessoas a lugares nunca imagináveis – o autor expressa: Trabalho é vida. Para os vitoriosos, acomodação, medo e fracasso são palavras fora do dicionário. Principalmente o sonho não de apenas trabalhas por dinheiro, mas trabalhar naquilo que se realiza e traz alegria, realização profissional.” (2005, p 105 a 107).
Essa referência que Shinyashiki traz esta fora da realidade da classe menos favorecida, principalmente daqueles grupos que estão em situação de vulneralibidade social porque para eles o trabalho não é visto desta forma. Muitos possuem subemprego ou trabalham no tráfico para sua subsistência, enquanto outros não conseguem nem isso.
A auto-estima dessas pessoas é muito baixa para considerarem o trabalho uma fonte prazerosa ou de realização para além da remuneração, isso não exclui alguns “casos de sucesso” que conseguem fugir deste rótulo em virtude de uma considerável transformação no seu capital cultural[2].
Para a análise da questão do aumento da auto-estima através do curso, foi elaborada a pergunta “Como você percebe a informática na sua vida após a conclusão do curso?” As respostas obtidas revelam mudanças positivas, tais como: Sentimento de pertencimento a um grupo com 37,9%, “agora sei responder quando perguntam sobre computador”, 25,2% e “Perdi o medo do computador “, com 17,5%.
A partir dessas repostas pode-se afirmar que o Projeto possibilita um aumento da auto-estima para as pessoas que o integram, não só a informática, por ser um instrumento valorizado entre essa população e para o mercado de trabalho, mas a sua compreensão é algo que faz a pessoa se sentir capaz de se sentir incluída em um grupo, como pode ser percebido à medida que uma doméstica pode verificar que ela não só exerce um trabalho braçal, mas que também sabe e tem capacidade de aprender coisas consideradas complexas, porque teve a oportunidade de modificar a sua vida, esse interesse de mudar que promove o desenvolvimento do capital cultural e social.

A oportunidade não é ter acesso ao curso, mas de poder buscar uma melhor colocação no mercado de trabalho.
Para compreender as mudanças no mercado de trabalho é necessário ter presente o novo quadro de estruturação. O centro deste novo quadro é formado por trabalhadores de tempo integral, este grupo que é cada vez menos numeroso constitui a base social da produção, pois é integrado por aquele trabalhador necessário para a produção flexível: polivalente, altamente qualificado, com um grau mais alto de responsabilidade e de autonomia, qualidades estas recompensadas em seu trabalho porque é estimulado pela própria reestruturação do processo produtivo a desenvolver sua imaginação criativa anteriormente atrofiada por um sistema que fazia dele um mero apertador de botões e parafusos. Normalmente goza de maior segurança no emprego, o que implica também a exigência de reciclagem permanente, já que seu trabalho exige elevada flexibilidade intelectual no enfrentar situações de mudança.
Competências comunicativas diferenciadas é o que abre espaço para promoções e inúmeras vantagens, portanto é necessário que o trabalhador comece a se qualificar desde jovem principalmente na área tecnológica.
O gráfico abaixo mostra a inserção do mercado de trabalho após a conclusão do curso com 19,4% dos alunos já efetivamente trabalhando, a escolaridade desses alunos é predominantemente ensino médio, sendo esta é a escolaridade onde se concentra o maior índice de desemprego segundo o programa Economia Pessoa da Junior Achiviement. Embora o índice seja considerado bom, a inserção no mercado de trabalho ainda é baixa tendo em vista o número de beneficiados pelo Projeto.

Paralelamente à inserção no mercado de trabalho, o desenvolvimento da empregabilidade é uma qualidade que os jovens devem adquirir para se tornarem competitivos no mercado de trabalho
Atualmente o trabalho formal, aquele de carteira assinada está entrando em extinção. Para tanto é necessário uma maior abertura para os conhecimentos e uma aprendizagem continuada que valorize a formação de novas competências. A flexibilização de trabalho/ emprego é uma realidade – sua compreensão permitirá que jovens não se sintam com a auto-estima baixa por não conseguir trabalho, sabendo, ao mesmo tempo em que estão qualificados para executarem novas funções e que estão dispostos a assumir riscos e desafios.
“O tema empregabilidade, baseia-se numa recente nomenclatura dada à capacidade de adequação ao novo mercado de trabalho”.
Será apresentado ao estudante o significado do tema, sua origem e sua repercussão nas relações de trabalho.
Será também comentada a competitividade requerida para a sustentabilidade no novo cenário econômico, impondo às organizações e redefinição de suas estruturas e relações sociais, provocando significativo reordenamento e diminuição de postos de trabalhos convencionais. Muda o perfil do empresário, do empregado, do estudante e da sociedade como um todo, requerendo novas competências e habilidades para lidar com todo o conjunto de tecnologias e organizações em curso. “Muda também a velocidade das mudanças, exigindo não apenas uma adaptação à abertura, mas uma adequação às alterações de um mercado aberto num mundo em constante e veloz transformação” (http://josepastore.com.br/artigos)[3].
O projeto fornece o capital social para promoção de integração de novas redes, como mostra Bourdieu na definição de Capital Social “... conjunto de recursos atuais ou potenciais que estão ligados à posse de uma rede durável de relações mais ou menos institucionalizadas de interconhecimento e de inter-reconhecimento ou, em outros termos, à vinculação a um grupo, como conjunto de agentes que não somente são dotados de propriedades comuns, mas também são unidos por ligações permanentes e úteis. Essas ligações são irredutíveis às relações objetivas de proximidade no espaço físico (geográfico) ou espaço econômico e social porque são fundadas em trocas inseparavelmente materias e simbólicas cuja instauração e perpetuação supõem o re-conhecimento dessa proximidade. O volume do capital social que um agente individual possui depende então da extensão da rede de relações que ele pode efetivamente mobilizar e do volume do capital (econômico, cultural e simbólico) que é posse exclusiva de cada um daqueles a quem está ligado. Isso significa que, embora seja relativamente irredutível ao capital econômico e cultural possuído por um agente determinado ou mesmo pelo conjunto de agentes a quem está ligado, o capital social não é jamais completamente independente deles pelo fato de que as trocas que instituem o inter-reconhecimento supõem o relacionamento de um mínimo de homogeneidade “objetiva” e de que ele exerce um efeito multiplicador sobre o capital possuído com exclusividade. (1998 p.67).”
O Capital Social é o que os jovens estão desenvolvendo através do curso de informática por meio do Projeto Cidadão Digital, a criação dessa rede e a possibilidade de promover um intercâmbio, uma inter-relação com outros grupos já existes, pode ser percebido através de um dos módulos apreendidos que é a AMADIS – Ambiente de Aprendizagem à Distância[4], onde os alunos criam suas páginas na internet, interagem com comunidades já existente, com pessoas que nunca conheceram e interagem com seus padrinhos.
Como demonstra o quadro abaixo em relação aos alunos que já trabalhavam quando iniciaram o curso, 20,4% já obtinham alguma renda sustentável, as formas de contratação relatadas são as mais diversas, mas o que se pode analisar desta pergunta é que a empregabilidade nessas pessoas se desenvolveu fazendo com que elas possam apresentar um melhor rendimento no trabalho que realizam, seguindo o gráfico, 78,6% dos entrevistados não obtinham nenhuma renda.
Em relação aos que já trabalhavam, muitos desenvolveram melhor relacionamento com as pessoas de sua empresa e com as que vieram conhecer, conforme o relato de uma aluna: “... agora a empregada doméstica consegue efetuar trabalhos pra patroa no computador, além de saber sobre o que está sendo solicitado”.
Esses são alguns dos exemplos de como a rede começa a se estruturar mesmo que inconscientemente, por meio de conhecimento exclusivamente adquirido.
Conclusão
O Projeto tem como objetivo qualificar jovens para o mercado de trabalho e como mostra a pesquisa 67% dos alunos matriculados são jovens na faixa etária entre 15 a 25 anos e com a escolaridade predominantemente no Ensino Médio. Do percentual de jovens que foram matriculados no curso 83,5% concluíram o curso e 19,4% estão ao mercado de trabalho, dos alunos que já possuíam alguma forma de renda sustentável aparece com um percentual de 20,4% desenvolvendo a empregabilidade, para além do capital social porque o projeto possibilita a busca da melhoria pessoal e profissional e uma promoção de redes de inter-relacionamento.
Ao fornecer os programas da Junior Achivement o Projeto adquire maior penetração na capacidade de empregabilidade destes jovens, além de seus ex-alunos serem os instrutores promovendo uma maior proximidade em termos da linguagem, conhecimento da comunidade e condições de vida.
A empregabilidade é algo que se desenvolve ao longo do conhecimento adquirido e as possibilidades de inserção não só no mercado de trabalho, mas também em diferentes grupos diferentes graças ao “capital social”.
O ato de procurar um curso de informática já é uma maneira de aumentar a os estima. Através das respostas à pergunta Como você vê a informática na vida após a conclusão do curso?, respostas como “a informática para mim tem sido tudo e agora me sinto parte da sociedade” demonstram a importância do Projeto Cidadão Digital nessas comunidades, promovendo o resgate de pessoas, incluindo-as na sociedade globalizada por meio do desenvolvimento do capital social, da interação com diferentes grupos e aumento da capacidade intelectual de crianças, jovens e adultos até então excluídos digitalmente e socialmente.
O Projeto Cidadão Digital presente nessas comunidades faz com que o índice de jovens ativos intelectualmente e inseridos de alguma forma seja consideravelmente significante para uma sociedade tão esquecida.
Referências
HANG, Teresa Maria Frota. Metodologia Qualitativas Sociologia. 5° Edição. São Paulo: Vozes, 1997
SHINYASHIKI, Roberto Você: A alma do negócio. São Paulo: Editora Gente, 2001
ALVES, Ana. FANTINI, Guilherme. PAZZINATO, Ana Paula e Wiliam Palestra: Mercado de Trabalho Escola Parobé PUC/RS Outubro/2005 POA/RS
SILVEIRA, Sabrina da Silva. Manual – Projeto Cidadão Digital FPD 2006 POA/RS
RICHARDSON, Roberto Jarry e colaboradores. Pesquisa Social – Métodos e Técnicas 2ª . São Paulo: Atlas S.A, 1989
VOELCKER, Marta Autoria, cooperação e aprendizagem em comunidade virtual construída e protagonizada por educadores e aprendizes de telecentros Tese de Mestrado 2005 POA/RS
BOURDIEU, Pierre Escritos de educação 4º Edição. São Paulo: Vozes, 1998
MARTELETO, Reina Maria e Silva, OLIVEIRA, Antônio Braz. Redes e capital social: o enfoque da informação para o desenvolvimento local. Disponível em:
<http://www.agal-gz.org/portugaliza/numero02/redes01.pdf > Acesso em 26/06/2006.
LANDINI, Mª Zélia Silva. Empregabilidade, a necessidade de se tornar empregável. Disponível em < http://www.josepastore.com.br/artigos>. Acesso em 02/02/06.
BRASIL. Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível de <http://www.ibge.gov.br>. Acesso em 18/06/2006.
[1] Programa Adote um Aluno é um programa desenvolvido dentro da empresa Dell Computadores que motiva os funcionários a doar R$ 15,00 (quinze reais), quem adere é considerado padrinho, este dinheiro é repasso as ETIs que distribuem bolsas para os alunos que não tem condições de prover seu este de informática.
[2] O Capital Cultural pode existir sob três formas: no estado incorporado, ou seja, sob a forma de disposições duráveis do organismo; no estado objetivado, sob a forma de bens culturais – quadros, livros, dicionários, instrumentos, máquinas, que constituem indícios ou a realização de teorias ou de criticas dessas teorias, de problemáticas, etc.; e enfim, no estado institucionalizado, forma de objetivação que é preciso colocar à parte porque, como se observa ao certificado escolar, ela confere ao capital cultural – de que é, supostamente, a garantia – propriedades inteiramente originais.
[3] “Empregabilidade a necessidade de se tornar empregável”. (Landini, Mª Zélia Silva)
[4] AMADIS – Ambiente Virtual de Aprendizagem que permite: desenvolvimento de projetos de aprendizagem, publicação das próprias produções, compartilhamento/construção de conhecimentos, interação, cooperação e colaboração, formação continuada e não hierárquica, formação de comunidades virtuais e aprendizagem continuada à distância.
